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Descoberta

Meu primeiro contato com o poker foi em 2012 com meu amigo Rodrigo Macias. Ele me levou pra conhecer uma sessão ao vivo de cashgame, me parecia jogo de azar, não curti a experiência. Minha família joga canastra desde sempre, não é como se eu nunca tivesse visto baralho na vida. Simplesmente não curti o ambiente, as pessoas, enfim, passei a evitar essa programação.  Algum tempo se passou, mas o Rodrigo continuava a jogar e a ganhar consistentemente. Ele comentava as mãos mais interessantes, estava feliz e tinha acabado de ler um livro “muito bom”. Foi assim que ele me emprestou uns 5 livros, dentre eles o “Winning Poker Tournaments One Hand At A Time” do Apestyles. Devorei o conteúdo e sai pilhado pra começar a aplicar o que vi.

Iniciei jogando freerolls online de torneios, cash, o que aparecesse. Na época eu fazia faculdade de Comunicação, namorava a Bella e participava de projetos musicais. Comecei devagarinho, sem rotina, sem muito tempo, sem ambições, sem exemplos também. Ao contrário do que existe hoje, não existiam muitas mídias brasileiras sobre poker. Eu não conhecia nenhum jogador brasileiro profissional, não existiam livestreams ou tantos vídeos pra assistir. Era bem difícil achar conteúdo comparado a hoje e eu confesso que vacilei por não insistir na pesquisa – falo mais sobre isso depois.

Por um lado, acho que foi bom meu start ter sido sem muita informação, pois hoje vejo muitos começando a jogar em busca da fama, dos big hits, do glamour. Hoje se constrói cedo o sonho da glória e acabam esquecendo que poker é fundamentalmente um jogo. Você tem que curtir o gameplay, seus personagens, suas “fases”, a trajetória é o que importa. Se você pudesse Salvar a Princesa no primeiro minuto do Super Mario no Mundo 1-1, pulando todos os chefões e confrontos, faria sentido? Ninguém começa um jogo pensando assim. Você tem que querer descobrir, evoluir, se desafiar, eventualmente vai derrotar o Boss. Fica a dica. Fui me interessando e querendo jogar cada vez mais e melhor sem planos de grandeza. Se pudesse fazer dinheiro, legal, se não, ok, gg go next.

Investimento

Em 2014 decidi fazer meu primeiro (e único) depósito. Coloquei $100 pra jogar uma modalidade chamada Heads Up Sit and Go. Na época esbocei uma rotina e passei um ano e meio subindo dos Sits de centavos pra os de $20. Cheguei a fazer 1500 dólares, nada muito relevante tendo em vista o tempo que demorou. A conclusão que tirei era que não dava pra mim, era pouco lucrativo, repetitivo, confuso, um vendaval de emoções, destrutivo.

Eu assistia vídeos do husng.com, lia posts no fórum 2+2, anotava em cadernos todas as minhas dúvidas, partidas jogadas, dinheiro que entrava e saía, enfim, eu tentei. Porém bati num muro nos de $30 e estagnei. Foram uns 2 meses pra eu desistir jogando uns 30 sits por dia 3x/semana. Nessa época minha faculdade chegava ao fim e eu queria investir meu tempo e energia em algo que pudesse me dar retorno financeiro. Já dava aulas de canto, era renda certa e me divertia muito. Desliguei do poker e vida que segue, o ano terminava e fui curtir uma festa de fim com a Bella. Era confraternização da empresa dela e foi lá que conheci o Bruno e por consequência o João Simão.

Sentamos numa mesa e seguimos com o jantar. Nossas esposas saíram pra conversar e puxamos papo na mesa. O Bruno curtia jogos e passamos boa parte da noite conversando sobre videogame, tabuleiro, etc. O assunto chegou no poker onde ele mostrou grande interesse e eu tinha vivido aqui recentemente, me achava até entendido do assunto. Era a primeira vez que ele ouvia de profissionalização e eu falei o que sabia – mas deixei claro que tinha desistido já. Horas se passaram, falamos de poker desde que o assunto surgiu até o apagar das luzes, a noite terminou e sai achando que tinha até pilhado o Bruno demais com isso.

No dia seguinte ele me apareceu com vários nomes de profissionais brasileiros, cursos online e ao vivo, twitters, um mundo de informações! Em poucos dias ele até fez orçamentos de aulas em grupo e conseguiu descontos pra gente –  coisa que eu nunca tinha corrido atrás. Olhando agora, meu maior defeito no passado foi tentar sozinho melhorar meu poker e sou eternamente grato ao Bruno por ter me mostrado isso. Ele também achou um mar de detalhes que uma pesquisa superficial minha não tinha conseguido encontrar. Eu não tinha feito nenhum contato com um profissional, não havia procurado instrução ou coaching. Minha pegada era “solo”, eu queria fazer tudo sozinho e acabei “reinventando a roda”. Ele arranjou um desconto no Curso Poker Fora da Caixa do Simão e me convenceu de que essa seria minha última cartada, faltava eu ter contato com alguém que “tinha chegado lá” pra depois eu decidir se era pra eu desligar mesmo do jogo. Topei, marcamos vôo e hotel e fomos pra Belo Horizonte em Março de 2015.

Oportunidade

No curso conheci o João, um garoto mais jovem do que eu, extremamente bem-sucedido, jeito simples. Calça e camiseta, simpático, um pouco envergonhado, educado e acessível. Cumprimentou todo mundo olhando no olho, já ouviu uns “causos” pacientemente, foi guiando as pessoas ao redor de uma mesa de poker onde sentamos. O primeiro momento foi um bate papo , nos apresentamos, éramos de todo o Brasil e com diversos sonhos e profissões. Acho que totalizávamos 8 ou 10 pessoas. Esse era um dos primeiros Cursos PFC, que depois fiz parte de vários outros como amigo, funcionário, ajudante, professor.

As explicações começaram na parte dois do encontro. A técnica do jogo veio em formato de perguntas e respostas, demonstração ao vivo, e palestra. Tudo muito diferente do que eu fazia, explicado de forma clara e comprovado com uma cravada na frente da turma no domingo. Foi como uma bomba de motivação: eu estava indo pra direção errada sozinho e precisava de ajuda e de parceiros. O Bruno estava igualmente empolgado e feliz, famoso pinto no lixo. Hehehehe!

No fim da curso conversamos com o Simão sobre jogarmos pra ele – idéia genial e rápida no gatilho do Bruno! Oportunamente, isso era um projeto que o João queria fazer nos próximos 6 meses do ano. Ele tinha gostado de nós e nos convidou pra fazer parte do projeto! Os detalhes ele mandaria por e-mail em breve. Infelizmente o Bruno não pôde me acompanhar, mas a partir daí minha vida mudou completamente.

Realização

Olhando pros últimos 4 anos muita coisa mudou. Morei um ano em Floripa com 7 estranhos em uma mesma casa (o QG 1 do Simão), joguei dezenas de milhares de torneios, mais de um milhão de mãos de poker, viajei bem mais do que o esperado, casei com a Bella!! (minha maior apoiadora de longe) , tive um filho-filhote-mamíferozinho agora com 10 meses, enfim, literalmente os melhores anos da minha vida. Anos de muito vigor, sacrifício, frustrações, alegrias, luta e realizações. Eu tive sorte de ter o Bruno pra amadurecer o meu projeto e espero que com esse texto você também consiga pular umas etapas. Com o João eu tive a oportunidade de brilhar, trabalhar meu 110%, me dedicar além das expectativas dele e dos outros (pois eu estava mesmo é querendo atender às MINHAS expectativas). Eu tinha 27 anos, era ou vai ou racha, caindo e levantando, batendo ou apanhando. A Bella me botou pra correr, me segurou, me empurrou, definitivamente é responsável por eu estar aqui. Um parênteses que gosto de abrir: saibam que durante os 3 primeiros anos de poker a Bella segurou todas as finanças da nossa casa! Só depois desse tempo que comecei a ganhar compatível com minha profissão anterior. Não espere fazer dinheiro rápido, poker é como uma faculdade: primeiro estágio não remunerado, anos depois você entra no mercado de trabalho.

Hoje estou aqui no Rio escrevendo do hotel, realizando meu sonho de viver de um game, ao mesmo tempo representando meu país, carregando a bandeira de um site, sendo patrocinado por uma empresa que acredito. O contexto pra tudo ir ter acontecido é complexo demais pra um post no blog, eu nem tive tempo de falar dos meus pais! Enfim, vamos conversando pouco a pouco, já já vou descer pra almoçar, hoje começa o Millions e eu estou pronto!

Entrada do evento!

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